ENTRE ALTERIDADE E SUBJETIVIDADE

A LEITURA COMO EXPERIÊNCIA TRANSFORMADORA

  • Denise da Silva de Oliveira
Palavras-chave: Linguagem, Subjetividade, Leitura, Alteridade

Resumo

O presente estudo investiga os caminhos da linguagem na constituição da subjetividade, explorando sua interseção com a cultura, a experiência e a emoção. A partir de um viés interdisciplinar, fundamentado na psicanálise lacaniana, na fenomenologia e nos estudos do letramento, a pesquisa discute como a linguagem se apresenta não apenas como um sistema de comunicação, mas como um campo de construção simbólica e afetiva. A análise percorre as relações entre oralidade, escrita e leitura, destacando como esses processos moldam a identidade e possibilitam a experiência da alteridade. A análise também discute como a linguagem medeia emoções e configura práticas culturais, evidenciando que seu papel ultrapassa a simples decodificação de signos e se enraíza em dimensões mais amplas da experiência humana. Ao considerar a leitura como um ato de transformação e deslocamento subjetivo, o artigo enfatiza sua potência na construção do sujeito e na ampliação da percepção do mundo.

Referências

BARTON, D. Literacy: an Introduction to the ecology of written language. Oxford UK: Blackwell, 1994.
BELINTANE, C. Da corporalidade lúdica à leitura significativa: subsídios para formação de professores. São Paulo: Scortecci, 2017.
COLLARES, R. L. Por uma filosofia transvalorativa: a crítica da consciência moderna em Nietzsche. 2010. 198 f. Tese (Doutorado em Filosofia). Universidade Federal de São Carlos, São Carlos, São Paulo
DESCARTES, R. Meditações. Tradução de Enrico Corvisieri. São Paulo: Nova Cultural, 1999.
FREIRE, P. A importância do ato de ler. In: FREIRE, P. A importância do ato de ler: em três artigos que se completam. São Paulo: Cortez, 1984. p. 9-24.
GEE, J. P. Social Linguistics and literacies: ideology in discourses. 3. ed. Baskerville, UK: Taylor & Francis Group, 2008.
GEE, J. P. The New Literacy Studies from: The Routledge Handbook of Literacy Studies Routledge, 2015. Disponível em: https://www.routledgehandbooks.com/doi/10.4324/9781315717647.ch2. Acesso em: 29 set. 2023.
GRAFF, H. J. The literacy mith: Cultural Integration and social structure in the 19th century. New Jersey: Transaction Publishers, 1991.
HALLIDAY, M. A. K. Literacy and linguistics: a functional perspective. In: HASAN, R.; WILLIAMS, G. (Eds.). Literacy In Society. New York: Longman, 1996. p. 339-376. 188
HASAN, R. Literacy, everyday talk and society. In: HASAN, R.; WILLIAMS, G. (Eds.). Literacy In Society. New York: Longman, 1996. p. 377-423.
HUSSERL. A ideia da fenomenologia. Tradução de Artur Morão. Lisboa. Portugal: Edições 70, 1986.
JOUVE, V. A leitura. Tradução de Brigitte Hervot. São Paulo: Unesp, 2002.
KLEIMAN, A. B. Modelos de letramento e as práticas de alfabetização na escola. In: KLEIMAN, A. B. (org.) Os significados do letramento: uma nova perspectiva sobre a prática social da escrita. Campinas: Mercado de Letras, 1995. p. 15-61.
LACAN, J. A ciência e a verdade. In: LACAN, J. Escritos. Tradução de Vera Ribeiro. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1998a. p. 869-892.
LACAN, J. O Seminário, livro 1: os escritos técnicos de Freud. 3. ed. Tradução de Betty Milan. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1986.
LEMOS, C. T. G. Das vicissitudes da fala da criança e de sua Investigação. Cadernos de Estudos Linguísticos, Campinas, v. 42, n. 1, p. 41–70, jan./jun. 2002. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/cel/article/view/8637140. Acesso em: 28 set. 2023.
MERLEAU-PONTY, M. O mundo percebido. In: MERLEAU-PONTY, M. Fenomenologia da Percepção. Tradução de Carlos Alberto Ribeiro de Moura. 2. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1999.
MERLEAU-PONTY, M. O visível e o Invisível. 4. ed. Tradução José Artur Giannotti e Armando Mora d’Oliveira. São Paulo: Perspectiva, 2005.
NETZEL, R. M. de A. Subjetividade leitora na fase inicial da EJA: compartilhar e pertencer. 2021. 249 f. Tese (Doutorado em Estudos da Linguagem) – Universidade Estadual de Londrina, Londrina, 2021.
PETIT, M. A arte de ler ou como resistir à adversidade. Tradução de Arthur Bueno e Camila Boldrini. 2 ed. São Paulo: Editora 34, 2010.
PETIT, M. Os jovens e a leitura: uma nova perspectiva. 2. ed. Tradução de Celina Olga de Souza. São Paulo: Editora 34, 2009.
PIEGAY-GROS, N. Le lecteur, textes choisis & présentés par Nathalie Piegay-Gros. Paris: GF Flammarion, 2002.
ROJO, R. H. R. Concepções não-valorizadas de escrita: a escrita como "um outro modo de falar". In: KLEIMAN, A. B. (Org.). Os significados do letramento: uma nova perspectiva sobre a prática social da escrita. Campinas: Mercado de Letras, 1995. p. 65-89.
ROJO, R. H. R. Letramento escolar, oralidade e escrita em sala de aula: Diferentes modalidades ou gêneros do discurso? In: SIGNORINI, I. (Org.). Investigando a relação oral/escrito e as teorias do letramento. Campinas: Mercado de Letras, 2001. p. 51-74.
STREET, B. What's "new" in new literacy studies? Critical approaches to literacy in theory and practice. Current Issues in Comparative Education. Columbia: Teachers College, Columbia University, v. 5, n. 2, p. 77-99, 2003.
Publicado
2025-02-21